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sexta-feira, 31 de julho de 2009

O meu novo cãopanheiro


Já nos conhecíamos de vista há dois ou três meses, mas fugias sempre que te ia para dar uma festa. Ultimamente tens estado menos assustadiço.

Hoje, depois de sair da mercearia local, vi-te em mísero estado: magríssimo, com aspecto de teres sido maltratado, e tentei aproximar-me de ti. O resto fizeste tu: vieste atraz de mim, e querias entrar, mas não te deixei.

Subi, vim ver se tinha alguma coisa que te não fizesse mal, e levei-te um pacote pequeno de leite, que bebeste sôfregamente. Depois, não me largaste às lambidelas, rabo a abanar, nítidamente a mostrares gratidão.

Voltei à mercearia, falei com o merceeiro, falei com várias pessoas, e todas me diziam que o cão estava abandonado.

Só imaginava que num dia levavas com um carro, um pontapé, ou serias mandado abater pelos serviços Camarários.

Muito pensei se te deixaria entrar, ou não: ter um cão é uma prisão, uma despesa e uma responsabilidade; mas também é uma companhia e pode ser um bom amigo. Deixei a decisão para ti: abri-te a porta do prédio, entraste, estranhaste. Voltei a abrir, durante um bom bocado para decidires à tua vontade. Ao fim de alguns minutos, olhaste para mim, ganiste, e vieste comigo. Quando te abri a porta de casa, deixei-te entrar, mas só o fizeste atraz de mim.

O pior vem agora: tratar de ti, levar-te a seres visto pelo veterinário, levares as vacinas, recuperares físicamente, etc.

O banho, foi a primeira coisa: com champô Vichi, e depois com água e betadine. A seguir, estive a desinfectar-lhe as feridas. De certeza que lhe ardia e, não só me estava a deixar tratar, como me dava lambidelas.

Entretanto, vou vendo se, por acaso, aparecem os donos, ou se alguém o quer. Caso não queira, já arranjei um berbicacho de todo o tamanho!!!
Enquanto escrevo isto, estás deitado ao meu lado a dormir. Dorme bem...

10 comentários:

Maria disse...

Meu Corvo:
Já meteste a pata na poça, mas não te critico porque já fiz o mesmo.
Vê no que fazes, rapaz. Um cão é um amigo, mas dá muita despesa e problemas, dá amor, mas é uma responsabilidade.
Pensa bem.
Se decidires ficar com ele, faz as contas ao que vais gastar que não é pouco.
Boa sorte para os dois.
Beijinhos
Mãe

Anónimo disse...

Meu querido amigo,
Deixaste-me no coração um misto de alegria, de angústia, de orgulho e preocupação.
Alegria pela tua sensibilidade e coragem; angústia por saber de tantos animais abandonados e maltratados; orgulho por me deixares fazer parte do teu mundo; finalmente, mas não menos importante, preocupação porque realmente é mais uma responsabilidade e um acréscimo de despesas para ti.
Confio que os dois juntos tomarão a decisão acertada.
Conta comigo para ajudar no que puder.
Sinto uma imensa admiração por ti, e pela tua postura na vida.
Um beijo muito amigo
Nemy

Anónimo disse...

Olá pá!
Ainda não te conheço, mas vamo-nos conhecer um dia.
Parabéns por teres escolhido esse dono, que também é meu e é porreiro.
Vê se ele te dá um nome.
Saudaçães caninas
Nabão

João disse...

Grande Corvo,
arranjaste um grande amigo e fizeste uma das melhores coisas que se pode fazer. Os gastos vão ser agora com o Vet e vacinas mas depois é praticamente a só a ração(vacinas depois é só de ano a ano!) , um canito desse tamanho deve comer pouco e com menos de 1 dúzia de euros por mês chega e sobra para a paparoca.
João

Corvo disse...

Mãe, já meti e bem a pata na poça, mas não ficaria bem com a minha consciência, deixando este bicho a continuar a ser maltratado por cães vadios e pessoas. Não o queria ver num dia destes atropelado, ou, simplesmente, deixar de o ver.

Beijos.

Corvo disse...

Nemy,
Não pensei que pudesses ficar tão sensibilizada com isto.
Agora, vai ser o cabo dos trabalhos, com a vacinação, e ver se está tudo em ordem com a saúde.
De ontem para hoje, já se notam diferenças nalgumas feridas.
Mas desde que valha a pena, não me importo com esse trabalho.

Beijinhos.

Anónimo disse...

Nabão, eu sou o Julião.
Também te queria conhecer, mas primeiro quero ir ao médico para ver se não estou doente, e por as vacinas em dia. Também me quero livrar do resto das pulgas.
Depois, vamo-nos conhecer.

Até breve,

Julião.

Corvo disse...

Parece de propósito: hoje caíu uma carga de água de todo o tamanho. Do que ele se livrou. É que, ainda por cima, não gosta muito de tomar banho.
Ainda é cedo para dizer, mas parece-me que estou com sorte: xixi e cocó, só fez na rua, salvo uma ou duas mijinhas - talvez para marcar o território - e outras duas por nervoso.
Só há uns minutos é que o ouvi ladrar. Não parece ser de grandes falas, mas é meigo e simpático.
Lambidelas do Julião.

Kim disse...

Oh Corvo, esse lado humaitário que herdaste da Maria tem um preço.
E desse preço fazem parte muitas alegrias e muitas chatices.
Gosto imenso de cães e admiro quem os tem porque eu não conseguiria ter esse animal maravilhoso a não ser que fosse numa vivenda. Aí sim!
Gabo-te o arrojo e nunca te arrependas de fazer bem. Só que, às vezes é dificil gerir essa atitude.
Um abraço amigo

Corvo disse...

Bem o dizes, Quim. O lado humanitário tem um preço. E que preço!!!!

Pois, hoje pedi à minha Chefe se me poderia dispensar de tarde, por motivos de "ir dar assistência ao cão". Ela riu-se, e autorizou-me logo, sem quaísquer problemas. Na verdade, a tarde estava destinada para ir com ele ao veterinário por as vacinas em dia e ser bem visto. Mas os planos mudaram radicalmente, quando, depois de meio dia de trabalho, tinha chegado a casa e vi as cortinas rasgadas, o móvel de rádio dos meus avós riscado, a coberta do sofá com rendinhas, etc. Tive de tomar uma decisão muito desagradável. Com sorte, encontrei quem me viesse buscar o bicharoco quási à porta de casa. Agora, vou sonhando que está bem entregue, e não penso procurar mais a saber dele. Está numa quinta onde recolhem animais, e procuram donos para eles.
De ti e de quem mais leu e comentou este post, espero compreensão.
Ao Julião, nem me atrevo a pedir perdão. A Deus, não sei o que fazer: pensava estar a fazer uma grande coisa, mas acabei por anular tudo. Dei esperanças a um animal, e, num instante, tirei-as.
Se me informarem que ele ficou bem, fico muito feliz; mas não vou tentar saber dele: Agora está muito calor, e não quero arranjar lenha para me queimar.
Um abraço amigo.