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sábado, 22 de novembro de 2008

Lisboa Natalícia - Rua do Carmo


Mais um ano, e as belas e artísticas luzes de Natal, ocuparam as principais ruas da Capital. Esta foto que aqui se vê, tem cerca de uma semana e mostra a Rua do Carmo, vista da extremidade junto ao Rossio.

Por outro lado, estes enfeites iluminam as diferenças de classes sociais: de uma parte, mostram o vasto movimento das pessoas que procuram, nas perfumarias, nas sapatarias, lojas de roupa – tudo de marca, ou quasi tudo – presentes para oferecer no Natal. Esta manifestação de consumismo é uma verdadeira afronta para a outra face que estas luzes realçam: a pobreza extrema – pessoas sem casa, a viver encostadas a paredes, à entrada de prédios, até dentro de bancos! (Aqueles bancos que têm a secção de multibanco aberta durante a noite). Além dos sem-abrigo, vemos pessoas de aspecto doente e pobre, idosos com aspecto de miséria, etc..

Aqui há uns anos, um membro do Governo de outro país, veio cá a Lisboa e comentou, sem qualquer maldade: Portugal é um país que encara a miséria com naturalidade. Todos ficaram muito ofendidos. O Sr. estrangeiro disse alguma mentira?!

Ainda falta algum tempo, mas... bom Natal para aqueles que puderem!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Dr. Gaspar Antunes - 90 anos


Assinalam-se hoje noventa anos sobre o nascimento do Dr. José Alberto Gaspar Antunes. Já nos deixou há vinte e um anos, mas ainda continua muito presente para algumas pessoas.
Talvez alguns visitantes deste blogue o reconheçam. Ele, aqui, tinha quarenta e poucos anos de idade e estava em Cabo verde, prestes a partir para Angola.

Formado em Medicina em 1943, na Universidade de Coimbra, e depois de dois estágios em Lisboa e perto de Aveiro, foi trabalhar para Angola (1946). Esteve em Catete alguns anos; em 1952 integrou-se na Brigada da Pentamedinização (luta contra a doença do sono); em 1956, é promovido e colocado no Hospital da Cidade da Praia, na Ilha de Santiago – Cabo Verde. Além do Hospital, ainda era uma espécie de “médico ambulante” que se deslocava a outras zonas, onde faltava assistência médica.
Em Janeiro de 1960 regressa a Angola, desta vez, para Duque de Bragança, onde esteve cerca de um ano, principalmente, a tratar situações de Lepra.

(É de lembrar que a Guerra Colonial em Angola, “rebentou” em Março de 1960.)

Depois de sair de Duque de Bragança, esteve dois anos em Quibaxe, onde não só assistia a população, como também o Exército Português, pois não tinha médicos. De Quibaxe ainda seguiu para Vila Nova de Seles, tendo, em 1965, ido para Sá da Bandeira, onde foi Director do Hospital.

Sei que, quando ele, a mulher e a filha tinham chegado a Sá da Bandeira, iam à procura do Hospital. Ele encostou o carro ao passeio, e perguntou a um rapaz (negro) que ia a passar, onde se situava. O rapaz perguntou: Qual deles? O dos pretos, ou o dos brancos? Ao que me parece, a reacção do Dr. Antunes não foi lá muito boa. Parece que ainda ficou mais branco...
Como Director que era, acabou com essa separação e fez um só Hospital para todas as pessoas de todas as raças, de modo a serem tratados de igual forma. Tal era o espírito de algumas pessoas, que ainda houve quem ficasse contra ele.

Voltou para Portugal em 1966 e ainda exerceu alguns anos.

Conheci-o já em 1979. Foi grande amigo do meu avô, e tornou-se também meu amigo. Era uma pessoa muito especial! Tinha sempre uma história para contar. Andava sempre de um lado para o outro, tinha sempre coisas para fazer, era muito aberto aos tempos mais modernos, muito liberal. Recordo-o muito minucioso, nas mais diversas áreas, muito atento às pessoas, a tudo o que o rodeava. Muito inteligente.

Lembro-me de ele contar situações em que tinha de operar logo ali onde o doente estivesse, sem o mínimo de condições e, mesmo assim, tinha êxito nas cirurgias. Uma vez, ouvi-o comentar qualquer coisa como: “se hoje fosse chamado para operar um doente num Hospital, com tanta tecnologia de equipamentos, aparelhos e todas as condições que há actualmente, não era capaz de o fazer”.

Enfim, faz hoje 90 anos que nasceu, na Figueira da Foz, um grande Homem.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ladrões de Toponímia

Vai já sendo comum, nos nossos dias, irmos à procura de uma determinada rua e, ao olharmos para o sítio onde deveria estar a chave para a nossa dúvida, não encontrarmos a resposta.
Aconteceram-me já várias situações idênticas em lugares muito variados deste país – desde Lisboa e arredores, Tomar, etc..
Ontem ia a passar na Rua da Prata, quando uma luz indicativa de uma farmácia me chamou a atenção, e desviei os olhos para cima. Pouco mais alto dessa luz, havia algo mais escuro: uma marca de uma placa toponímica da Rua da Prata, que terá residido nessa parede várias décadas, e que supostamente foi arrancada por algum coleccionador de placas.

Caia-lhe uma na cabeça, para ver se tem mais juízo e não causa mais distúrbios!

domingo, 2 de novembro de 2008

Carros da Minha Vida - O meu, já tem 15 anos.

Teria eu cerca de nove anos, quando o meu irmão – mais velho doze anos que eu – comprou o seu primeiro carro: um Fiat 127 de mais ou menos 1976 (ele que me corrija, se estiver errado). Nesse carro a família viajou, conhecendo terras mais distantes. Fomos a Tomar passar uns dias; depois, a Vila Nova de Mil Fontes; passámos por Beja, Évora, Sagres, etc. Férias inesquecíveis. O meu pai também tinha carta, mas não tinha carro. Por vezes, o meu tio emprestava-lhe o seu Renault 4 TLC – mais antigo que o Fiat 127, onde dávamos algumas voltas, mas mais perto.
Anos mais tarde, o meu irmão comprou um Peugeot novo, e deu o Fiat ao meu pai. Este, ainda fez muitos kilómetros nas mãos do meu pai, mas a certa altura, as despesas já começavam a pesar no orçamento. Tomou o meu pai a decisão de comprar um carro novo, numa formalidade em que se iam pagando pequenas prestações e, periódicamente, faziam-se sorteios para ver a quem saía o carro. Já este estava quasi pago, quando calhou no sorteio ao meu pai.
Foi "fiesta" nesse dia 9 de Novembro de 1993. A minha mãe e eu, descemos alvoroçados as escadas para ir ver o carrinho, tão desejado que, logo a minha mãe se encarregou de lhe pôr um nome: Sebastião, o desejado.
O pior, foi o dia em que fui com o meu pai vender o velho 127, que nunca mais encontrei!
Nove anos mais tarde, foi outro carro lá para casa: um Ford Focus. Assim, como eu já tinha carta, e nessa altura deslocava-me todos os dias a Alverca, o Ford Fiesta foi parar à minhas mãos – isto, em Maio de 2002.

Tomei a iniciativa de publicar hoje este “post”, visto no livrete do Ford Fiesta Newport, constar a data de 2 de Nobembro de 1993, e assim, ser hoje o dia em que este perfaz quinze anos.
Com quinze anos, a andar, mantendo todas as suas funções com que foi lá para casa, tendo atingido, há pouco tempo, 150 Km/Hora, e com o motor ainda em bom estado, apesar dos mais de 173.000 Kms. já percorridos.

Comprar carro novo? Só se este deixar de andar e não ter arranjo!