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domingo, 4 de outubro de 2009

O caruncho de Lisboa - Os Sem-Abrigo


Existe um provérbio Japonês que defende que não é correcto oferecer peixe, mas sim ensinar a pescar. Há neste mundo muita gente necessitada, não só por nunca ter sabido pescar, como também por já se não lembrar.

Devido a diversos factores, as pessoas podem caír na marginalidade, passando por diversos “estágios” de miséria. O pior desses estágios é tornar-se “sem-abrigo”.

Estudos mostram que a maior parte da população “sem-abrigo” da capital tem problemas psíquicos graves, muitos dos quais poderiam já existir antes de atingirem esta condição.
Ao tornar-se “sem-abrigo”, o indivíduo começa por deixar de seguir certas regras básicas, tais como: horários, hábitos de higiene, trabalho, sociedade, etc...
Tende, até, por passar a sofrer de alcoolismo, dependência de drogas, mendicidade, problemas psíquicos, etc.
Ora, para ajudar essa população, é preciso mais solidariedade, do que oferecer uma mera esmola, “para Inglês ver”. É fundamental, seguir o desenvolvimento da pessoa, dando-lhe apoio, até que reingresse na sociedade, como um cidadão normal. Ao começarmos a ajudar um ser humano nestas condições, estamos a tomar uma grande responsabilidade, ou seja, não podemos apenas dar a corda, e depois largá-la.
É um processo que requer muita paciência e persistência de ambas as partes.

É necessário lembrar as pessoas que “não é só aos outros que acontece”. É imprescindível que esse espírito de ajuda se mantenha!

7 comentários:

Maria disse...

Meu Filho:
Tu, trabalhando onde trabalhas, sabes isso.
Parabéns por este post.
Tenho orgulho de ti, meu Corvo.
Beijinhos
Mãe

Corvo disse...

Mesmo trabalhando onde trabalho, não deixa de ser um tema difícil de falar. Nem todos os "sem-abrigo" foram sempre pobres. Alguns, por estranho que o pareça, até não o são. serão pobres, mas de espírito. É preciso saber falar com eles, saber ouvi-los, tentar entendê-los, entrar no mundo deles. E, acima de tudo, ter muita paciência e persistência. Maus hábitos há muito adquiridos são difíceis de perder, tal como os bons são custosos de recuperar.

Beijos.

Je Vois la Vie en Vert disse...

Ajudar os sem-abrigos é uma tarefa muito difícil porque requer muita sensibilidade e cada caso é diferente.
Como dizes, é preciso entrar no mundo deles, e de maneira nenhuma dar dinheiro como esmola porque são coitadinhos.
Mesmo se às vezes parecem bichos, acho que é necessário continuar a mostrar-lhes que eles são pessoas, que merecem uma atenção, um bom dia, um reparo tipo "tem um chapeú novo hoje ?", uma palavra, um sorriso.
Pelos vistos, trabalhas neste área e mereces a minha consideração.

Beijinhos duma amiga da tua mãe

Verdinha

Corvo disse...

Verdinha,

É isso mesmo; temos que nos lembrar e lembrar a eles que são pessoas e, como tal, merecem dignidade.
Em geral, são anti-sociais, mas se os soubermos "levar", conseguimos que falem connosco. É muito importante para o indivíduo conseguir estabelecer alguma espécie de contacto com o "mundo". Pode ser uma importante ajuda para a sua reabilitação.
Na zona da Baixa e parte do Bairro Alto, são muitas destas pessoas que me cumprimentam, e nunca lhes dei esmolas.

Beijo.

Je Vois la Vie en Vert disse...

Saberem que são olhados como pessoa nem que seja por uma só pessoa já pode ser o caminho para a reabilitação.
A minha irmã trabalha como voluntária num "resto du coeur" na Bélgica numa cidade relativamente pequena e quando vamos passear na rua as 2, ela cumprimenta (e até dá beijinhos..) a muitas pessoas mal vestidas, sujas, desdentadas sempre com a mesma boa disposição e conhece o nome de todos !
Tenho muita admiração por ela pelo que faz e tenho pena que não haja este tipo de "restaurantes" na zona onde vivo (a Linha do Estoril) porque gostava de contribuir para este tipo de voluntariado. Não posso ter actividades voluntárias que requerem esforço físico nem me deslocar muito longe de casa mas não preciso de esforço nenhum para acolher as pessoas com carinho e sorriso. Se um dia souberes que algum projecto deste está em via de se concretizar, contactas-me ?
Neste ano, já estou a fazer voluntariado noutra área e já não tenho tempo disponível mas no fim do ano lectivo que vem, poderia organizar-me para dar algumas horas...
Beijinhos

Verdinha

Anónimo disse...

Meu amigo Corvo,

Parabéns pela sensibilidade e pela coragem. Abordar temas relacionados com a exclusão social não é fácil.
Fácil é tirar uma moeda do bolso e atirá-la para a latinha das esmolas. Aliviamos assim a nossa consciência e ficamos bem mais tranquilos.
Difícil é olhar nos olhos e dizer: Bom dia!
Difícil é olhar nos olhos e esboçar um sorriso;
Difícil é olhar nos olhos e ver (com olhos de ver) a tristeza, o sofrimento e a miséria humana.
Mas, meu amigo, julgo que a verdeira miséria é a espiritual, que se instala nos coração de quantos passam pela vida e pelo próximo sem querer olhar, ver e reflectir sobre o que nos rodeia. E olha que são muitos.
E nem percebem que tudo começa em cada um de nós: em mim, em ti, na Maria, na Verdinha.., e vão pensando (se é que pensam) que nada podem fazer.
Desse ponto de vista o melhor é ignorar!
A Madre Teresa dizia: "Sei que o meu trabalho é uma gota de água, mas sem ela o oceano seria mais pequeno".
O mundo, o planeta, as pessoas estariam bem melhor se cada um de nós fosse uma pequenina gota de água.
Como sabes não sou uma pessoa com uma grande educação religiosa. Não sei bem o que existe para além daqui. Mas sei que, quando chegar a minha hora de partir terei que dar conta de tudo o que fiz, mas sobretudo do que não fiz e poderia ter feito.
Já te ocupei muito tempo e espaço. Não era esse o meu objectivo. Mas este é um tema que me toca sempre.

Um abraço bem apertado e amigo
Nemy

Corvo disse...

Nemy,

Mesmo também sem ter tido educação religiosa (embora crente) penso que, mesmo que possamos ser "uma gota no Oceano", devemos fazer sempre o melhor possível. Afinal estamos todos no mesmo planeta - como se costuma dizer, no mesmo barco. Devemos contribuír para o bem-estar de todos, e pensar que não é só aos outros que "acontece".
Comoo disse, não tive educação religiosa, mas fui ensinado a ser tolerante, embora, mesmo assim, reconheça, que ainda não o sou suficientemente. Talvez, a idade - como a minha mãe me diz - me ensine a ser mais.

Beijinhos.