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quarta-feira, 27 de maio de 2009

O famoso catálogo do Soares e Mendonça


Quando nasci, tinha o meu avô materno quási setenta anos. Nesse tempo, os seus ataques de ira já se tinham refinado. Apesar da idade, ainda assisti a "cadeiras e mesas voadoras", entre outras coisas.

Mas fez sempre parte da "cultura" da família, certas fúrias protagonizadas por ele, nomeadamente, manifestações afectuosas para com os filhos, tais como bofetadas, atirar com o que estivesse mais à mão, etc..


Aqui há dias, não me pude esquecer de uma dessas histórias, ao ver a placa que está na fotografia:

Por certa ocasião, a minha mãe (nessa altura rapariga), por fazer um inocente comentário levou com uma coisa, que ainda hoje se lembra: um catálogo do Soares e Mendonça. E parece que era volumoso...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Uma lenda que deixou de ser viva


Quem conhece minimamente a Cidade de Tomar, e nunca ouviu falar da “Casa das Ratas”, ou da “Casa Matreno”? Ambas pertenciam ao Sr. José Matreno.
O Sr. Matreno deixou-nos antes de ontém, dia 6 de Maio.
Conheci-o ainda a trabalhar, ou na Casa das Ratas, ou na Casa Matreno. Um dia, fui com a minha mãe e o meu pai à Casa Matreno. O Sr. Matreno foi que nos serviu à mesa. A certa altura, a “Maria dos Alcatruzes” perguntou-lhe se ele se lembrava de seu pai – meu avô. Quando lhe disse o nome, de imediato ele respondeu: “Como me havia de esquecer dele?” E em seguida contou uma aventura que tiveram juntos: Um amigo do meu avô e do Sr. Matreno comprara um Citroën “arrastadeira”. Nesse tempo, davam um prémio ao primeiro que conseguisse virar um carro desses, o que era difícil, graças à grande estabilidade do automóvel. Acontece que quando o amigo comprou o carro, convidou o Sr. Matreno, o meu avô e outro amigo para irem experimentar dar uma volta no carro. O passeio foi à noite, depois do jantar. As estradas eram más e escuras. A viagem começou por ser boa, mas acabou mal: o dono da viatura galgou uma azinheira meia caída, e o carro virou de lado. O único ferido foi o meu avô, que partiu a clavícula e não sentia as pernas, até que um médico lhe deu um jeito nas costas e o meu avô voltou a sentir as pernas e a andar.
Passados quarenta e tal anos, o Sr. Matreno ainda se lembrava do acontecimento.
Há menos de um ano, já o Sr. Matreno estava muito mal, mas mostrei-lhe uma fotografia do meu avô, e ainda lhe consegui arrancar um olhar lúcido.
Há dias, fui a Tomar e soube que a Casa das Ratas e a Casa Matreno foram trespassadas, mas nem chegaram a fechar, nem mudaram de nome. Soube que o Sr. Matreno estava muito mal, pela sua mulher.


O Sr. Matreno deixou-nos, mas a lenda continua!