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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Uma menina chamada Maria


Há alguns anos, por volta do meio-dia, houve grande alvoroço na Rua Silva Magalhães em Tomar. A Sr.ª D. Leopoldina – além de grande amiga da família, também vizinha da frente – foi a correr para o local do acontecimento, quase mesmo em frente, para ajudar no parto de uma linda menina, que foi baptizada com o nome de Maria, mas que ficou (mais tarde) conhecida como a “Menina das Trancinhas”. Nesta foto, sentada num velho cadeirão, ainda as não tinha.
A Maria é uma menina que se contenta com pouco. Como exemplo disso, pode apontar-se o facto de ter tido poucos brinquedos, mas sempre satisfeita com qualquer coisinha que fosse. Certa ocasião, o pai fez-lhe um carrinho em madeira e ficou mais feliz que um adulto com um de chapa!
Viveu uma infância feliz enquanto morou na sua terra, mas mesmo tendo saído de lá, continuou sempre leal ao berço onde nasceu.
Muito nostálgica, lembra os seus primeiros anos de vida (recorda-se de coisas que ocorreram desde que tinha apenas dois anos); as longas viagens que fazia frequentemente a Ovar e para a Quinta do Carregal, os olhos luzentes dos lobos, junto à estrada nas noites escuras, que lhe metiam tanto medo que a mãe a tapava para que os não visse; a precoce tendência para a leitura; a falta de apetite e o gato das botas que, se não comesse, aparecia e ainda por cima a porta mexia-se sozinha e rangia; os trambolhões; as brincadeiras de criança sem maldade, aqueles telefonemas do género:
- Está, sim? É de casa do Sr. Coelho?
- É sim, menina.
- Pum! Pum! Considere-se morto!

Já não tão brincalhona, talvez marcada pela saudade e por outras mazelas, mas ainda se contenta com as mais singelas coisas.
Um beijinho para a menina Maria!