terça-feira, 20 de julho de 2010

Saudades de "Cascaes" de outros tempos


A luz do dia entrava pelas janelas, e o dia convidou-me a ir dar um passeio.
Sentei-me ao volante e fui à terra de onde vem a minha família paterna, com o propósito de a visitar, mas também ver um casal amigo, vizinhos dos meus avós.
Aproveitando a ida a Cascais, comecei por ir ao Parque Condes de Castro Guimarães (mais conhecido por Parque Marechal Carmona). Conheço esse lugar desde que me lembro de existir. No entanto, se não soubesse que era o mesmo parque, não o reconheceria. São poucas as coisas que se mantêm, como o café, a mina, a estufa, o museu, a capela, as pontes do Rio dos Mouchos, e pouco mais. De resto, tudo está diferente. Havia lá um mini-zoo, com 3 macacos, várias aves, incluíndo o corvo Vicente que cumprimentava quem por perto passasse e guardava a comida que lhe davam num buraquinho pequeno, para quando tivesse fome. Depois, no lugar onde se vê um parque infantil, estavam os veados e um pouco mais ao lado, as raposas. Havia também pavões à solta. Que eu tenha reparado, safou-se meia-dúzia de patos e algumas tartarugas, no lago à entrada. Os restantes lagos estão secos.
Um relvado enorme, várias plantações de flores muito bonitas e outras modernices, vieram ocupar o lugar que já foi um dos mais bonitos que conheci, com caminhos pelo meio das árvores e alguns encontros com os referidos pavões.
Mas nem tudo é mau: a capelinha junto ao museu, que tinha aspecto de abandonada e sempre fechada, estava aberta, e visitei-a, lembrando-me de todos os Cascalenses de família e fora de família que têm lá vivido, desde que vim ao mundo aos dias de hoje. Lembrei-me de todos os que ainda vivem e os que já partiram, e mesmo dos que não sei se ainda vivem. De qualquer forma, poucos restam. Partiram muitos. Mas eu fui lá e lembrei-me deles, para que a sua memória não se apague.

Depois, fui ao Largo Luiz dos Santos, tio da minha avó, cuja placa toponímica desapareceu da casa velha que se vê na foto e fui encontrar à venda numa feira de antiguidades. (Só gostava de ver a cara de parvo do “gatuno” quando por lá passar e a reencontrar, só que desta vez, do outro lado da rua, e impossível de lhe chegar).

Finalmente, lá fui ver os antigos vizinhos dos meus avós, que são como da família. Entrei numa casa onde fui mais vezes do que a conta dos meus cabelos, onde vivi muitos momentos alegres, outros menos felizes, mas que deixou muita saudade.
A casa, lá está, de pé.

Por hoje chega de conversa.
Até breve!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Regresso aos estudos


Há uns bons anos, fui conduzir uma composição. Percorri cinco quilómetros sem grandes problemas, mas no sexto, houve um pequeno descarrilamento. Não houve feridos. Recolocada a máquina nos carris, continuei a viagem, tendo feito mais 3 quilómetros. Chegando ao fim dos 9, a linha acabava. Tinha então de optar por uma das quatro linhas que havia para escolher. Não tive grandes dúvidas, e coloquei a agulha para seguir pela linha 4. Andei mais três quilómetros, e no primeiro destes três, já sonhava em depois continuar a viagem e descobrir novos horizontes.
Porém, percorridos os 3 mil metros da linha 4, esta chegava ao fim e desta vez não tinha para escolher uma de quatro, mas dezenas e dezenas de linhas, algumas das quais com fama de serem muito tortuosas, outras que não iam dar a lado nenhum de interesse, e ainda outras que não sabia se havia se seguir ou não.
Dada toda esta confusão, decidi arrumar o combóio e voltar lá passado um ano, mas cada vez que me lembrava das dificuldades que tivera encontrado, adiava sempre o meu regresso às linhas. E depois, com o passar dos anos, a locomotiva já não andava há muito, as linhas estavam enferrujadas e pensei que as agulhas estivessem perras.
Só voltei ao apeadeiro passados 12 anos. Fui por a locomotiva a trabalhar, e ainda trabalha bem, a “gaja”! A diversidade das linhas já não me pareceu tão confusa, e a agulha não estava perra. Até já a desviei para seguir por uma linha e continuar, pelo menos mais três quilómetros. Já fiz os testes à máquina e parece reunir todas as condições para arrancar. Em princípio, depois das minhas férias, lá para Setembro vou conduzir o combóio por mais três quilómetros.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Infelizmente não houve luar


Começou ontem o ciclo de um grande desafio para os que acabam o secundário e se preparam para novos caminhos.
Assim, o primeiro exame nacional desta etapa foi o de Português.
Testou-se assim, não só as capacidades em redigir textos e usar a língua portuguesa, mas também os conhecimentos sobre obras impostas para leitura no 12º ano.
Além disso, colocou-se à prova, também os conhecimentos sobre os tempos verbais, os recursos estilísticos, entre outros.
Mas foi espanto para a maior parte dos alunos uma boa parte do conteúdo do exame: Os Lusíadas. Fazia, realmente, parte do programa, mas como modelo de comparação com a inspirada obra de Pessoa,a Mensagem.
O programa compunha-se também de Memorial do Convento (sobre o qual pedia um pequeno texto sobre a obra) e de Felizmente há luar (que infelizmente não houve).

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Nico: Um amigo especial


Quem olhar para a fotografia vê apenas um simples periquito, mas é mais do que isso.
Chama-se Nico e dá pelo nome. Anda e voa livremente pela casa, tendo na mesma uma gaiola, para onde vai, ou por vontade própria, ou porque as donas têm que o meter lá por qualquer razão. Mas não é tudo. Além das donas ainda conhece mais pessoas, só que não gosta de todas. Não sei quais serão os critérios para gostar de alguém, mas o que é certo, é que quando não gosta não esconde, ao contrário de algumas pessoas. Assim, pia estridentemente aos ouvidos, e bica furiosamente a pessoa indesejada.
Às outras, dá bicadinhas devagar e começar a falar para elas. Sim, porque este periquito fala! E o léxico é vasto: Chiça, porra, meu Deus, Jesus, shiu, chato, beijinhos, etc. Para além disto ainda ladra.
Mas ainda não é tudo: ao lado da gaiola, está sempre um copo onde ele vai beber - imaginem - chá. Depois, além da tradicional mistura para periquitos, ainda pode ir aos pratos das donas ou às travessas, disfrutar de um pedacinho de frango, peixe, milho, cornichons, azeitonas, pão, etc..
De referir ainda que é muito asseado (tirando os cocós que vai deixando por onde passa), pois quando as donas vão lavar as mãos ao lavatório, enfia-se debaixo da torneira, para tomar banho, especialmente, nos dias de calor intenso.

domingo, 30 de maio de 2010

Quer ver? Pague mais!


Sé de Évora.
Para visitar a Sé, tem que se pagar, à entrada.
Mas, se quiser ver cada capela da igreja, vá à recepção adquirir as fichas para acender a luz, e despache-se a ver, porque não está muito tempo acesa.

QUE VERGONHA!!

Sem Comentários


À entrada do jardim, em Évora.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Onde fica a rua que não tem a placa toponímica?


Hoje, na Estação do Metro de Arroios:
-Boa tarde, minha senhora. Podia dizer-me para onde se vai para...(Eu a resmungar baixinho: Olha, foi-se embora, tem medo que a morda. Só espero que quando precisar de ajuda lhe façam o mesmo!).
Saí da estação, aproximei-me de um Senior e disse: - Boa tarde! O amigo podia dar-me aqui uma ajuda... Resposta: Eu dava, mas não tenho aqui nada. Minha contra-resposta: Pois, meu senhor, felizmente ainda não cheguei a isso. Na verdade a ajuda que quero de sua parte, é que me indique para onde se vai para a Barão de Sabrosa. O Senior: - Então, segue sempre a estrada, e ao fundo vira à esquerda.
- Obrigado e resto de um bom dia. Saúdinha!
Lá subi, e não dava com a rua, perguntei a outro. "O quê, não percebi. Tem de falar mais alto que ouço mal" - Barão de Sabrosa - "Barão de?" - Sabrosa! - "Desculpe, mas não compreendo". (Escrevi num papel)
- "Ah, para a Barão de Sabrosa, venha no autocarro e... toque para saír... atenção... é para aquela rua que tem de seguir" - "Obrigado, bem haja!" (e fiz os gestos de agradecimento com as mãos.
Curioso é que quando lá cheguei, não havia placas toponímicas, e o mesmo parece ter acontecido com letreiros que estavam junto da Igreja de São João.